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Livro MPB História de Sua Gente - Capítulo 11 QUAL SERÁ O PRÓXIMO CAPÍTULO? Os poucos informados e os mais jovens podem deduzir
que o fascínio exercido pelas novelas de televisão sobre
a massa seja recente. Infelizmente não, pois o indigesto Direito
de Nascer, na sua primeira versão televisada lotou o Maracanãzinho
para a transmissão ao vivo do capítulo final. O zé-povinho
corre o risco da intoxicação e alienação devido
ao massacre desencadeado pelas emissoras, algumas produzindo até
cinco novelas diárias. Na televisão Como disse acima, o intragável Direito de Nascer foi badaladíssimo. Blecaute e Brasinha conseguiram relativo sucesso com a marcha homônima: Ai, Dom Rafael No carnaval de 1966 juntaram-se três privilegiados, Marcelinho Ramos, Abílio Correia e Zé Luzada para fazer brotar A Novela Acabou, onde, masoquistas, lamentam o fim do suplício: Nossa novela acabou O Beijo da Novela, de Dalto Araújo, Cesar Moreno e S. Correia (outra trica, meu Deus!) é mais um exemplo da falta do que fazer: O beijo que o Albertinho deu A Marcha da Novela continua fazendo render o assunto: O negócio lá na casa dela Eu compro essa Mulher foi outro dramalhão que repercutiu. Raul Sampaio, Benil Santos não ficaram imunes: Eu compro essa mulher Moreira da Silva e Rômulo Paes também cantaram a disputada senhora: Eu compro, eu compro O Sheik de Agadir foi invejado por uns e esnobado outros. A novela hoje era capaz de aumentar nossa cota de petróleo: No harém do Sheik de Agadir (Nuno Soares, Ary Pereira, Maurilio Lopes, carnaval de 1967). Eu sou o Sheik (O Sheik de Copacabana de Brasinha e Blecaute). Oh Simonal A Rainha Louca passou sem pompa pelo carnaval de 1968: É uma rainha louca Sadi Cabral, ótimo ator e compositor bissexto (é parceiro de Custódio Mesquita nos clássicos Velho Realejo e Mulher) fez sucesso na novela Minha Doce Namorada, no papel de Seu Pepê, um velhinho legal. Achou isso suficiente para aventurar-se no carnaval de 1972 com cantor e autor e quebrou a cara: Minha doce namorada O Bem Amado foi merecidamente um êxito. Brasinha, compositor tarimbado, com muita verve compôs a Marcha do Odorico para o carnaval de 1974: E sou o Odorico Paraguassu Juntamente com Benil Santos, o mesmo Brasinha em 1965 já denunciava a obcessão novelística e seus reflexos no cotidiano: Enquanto ela vê novela Eu não faço restrição ao papel que as novelas desempenham com opção de lazer, mas tenho receio que, a exemplo do futebol e do carnaval, acabem se tornando um elemento de escapismo a afastar o povo de sua realidade social.
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©2002 Renato Vivacqua |
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