| |
||||||||
![]() |
![]() |
|||||||
| |
|
|
|
|
|
|
||
| |
|
|
|
|
|
|
|
|
Livro MPB História de Sua Gente - Capítulo 8 A CONSAGRAÇÃO É UM PONTO DE INTEROGAÇÃO O caminho do sucesso é uma caixinha
de surpresas. É quase um exercício de ocultismo tentar entender
o que leva o povo a consagrar uma canção. São da cor do céu O Carnaval de 1937 tinha previsão de ser um dos mais insossos. Apenas alguns destaques: Como vais você, Falso amor; Lig-lig-Lé. Correndo por fora veio Mamãe eu Quero, maliciosa, com um refrão dos mais receptivos e estourou. Vicente Paiva lançou-a como balão de ensaio no Cassino da Urca onde era Diretor musical, mas até a composição conseguir chegar ao disco foi um sufoco. Ninguém se interessou. O Diretor da gravadora à qual estavam vinculados os autores não queria que Jararaca gravasse para o Carnaval para não queimar sua imagem de caipira-humorista. Vicente Paiva bateu o pé preparou a gravação, mas surgiram contratempos. Almirante, que participou do disco fazendo o papel da mão de Jararaca, sem mesmo se preocupar em adequar a voz, conta como foi: Na hora de gravar verificamos que a música era pequena, não tinha a duração exigida para o disco. Jararaca e eu completamos a música fazendo um diálogo improvisado na hora, sem nenhum interesse. O banjista, durante a gravação, errou um acorde, mas a música era considerada tão ruim que ninguém pensou em refaze-la. Eis o diálogo que abre a gravação original: Jararaca: Mamãe eu quero Numa entrevista foi perguntado a Jararaca quem era o autor da composição. Respondeu: O autor? Quem é o autor? Não está nos jornais que sou eu? Vicente eu convidei para ser meu sócio. Fiz a idéia musical sozinho. Fica a dúvida no ar. Terá sido Vicente um parceiro fantasma? Acredito que não, pois já em 1935 havia namorado o tema, lançado a Marcha do Cordão do Bola Preta, que relançado em 1962 com algumas modificações foi sucesso na voz de Carmem Costa: Quem não chora não mama Jararaca declarou que se inspirou em
si próprio: A idéia foi porque eu fui o menino mais
mamão que apareceu. Mamei até os cinco anos de idade. Tenho um casal de bode No carnaval de 1939 Silvino Neto e Plínio Bretas lançaram o Não te dou a chupeta, uma resposta, e obtiveram repercussão: Já andas muito grande para
implorar O tema ficou latente até 1962 quando Felisberto Martins e Gomes Cardim compuseram Quem não Chora. Passou em brancas nuvens: Quem não chora não
mama Trinta e quatro anos depois, Jararaca ainda tentava navegar na esteira do antigo êxito. Compõe para o Carnaval de 1971 o Mamãe não quero: Mamãe, mamãe eu não
quero Na realidade pouquíssimas músicas brasileiras foram sucesso mundiais. Mamãe eu Quero, juntamente com Delicado, Aquarela do Brasil, Copacabana, Não tenho lágrimas, Na baixa do sapateiro, Garota de Ipanema (posso ter esquecido mais três ou quatro), faz parte desse rol famoso. Gravada por Bing Crosby, cantada em desenho do Tom e Jerry, única música que impressionou o rei do disco francês, Eddie Barclay, que a ouviu no Carnaval de 1976 e pensou em gravá-la, sucesso no Carnaval peruano e mexicano, continua, diante da anêmica música carnavalesca atual, cada vez mais forte. Eis a letra completa, que pouca gente sabe, pois sendo extensa o povo adotou o refrão e entra no lá, rá, rá, na hora de cantar o resto: Mamãe eu quero O reconhecimento de sua mensagem de alegra
porém não foi unânime. Tinha que aparecer algum estraga-prazer
e Walter José, Jacinto Jr. e Mesquita contestaram com a marcha
Tema Novo criada para o Carnaval de 80. Deixa de lero-lero.
|
|||||||
©2002 Renato Vivacqua |
|||||||