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Qual será o próximo capítulo? |
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27
(2 votos, média de 5.00 em 5)
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Escrito por Renato Vivacqua
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| | Os poucos informados e os mais jovens podem deduzir que o fascínio exercido pelas novelas de televisão sobre a massa seja recente. Infelizmente não, pois o indigesto Direito de Nascer, na sua primeira versão televisada lotou o Maracanãzinho para a transmissão ao vivo do capítulo final. O zé-povinho corre o risco da intoxicação e alienação devido ao massacre desencadeado pelas emissoras, algumas produzindo até cinco novelas diárias.
O painel da Música Popular não poderia deixar de registrar este impacto e o tema tem sido cantado pelos nossos compositores, principalmente os carnavalescos, responsáveis por um pitoresco anuário musical. Vejamos como sentiram e vêm sentindo o envolvimento. Primeiro um caipira, Silveira, no seu corrido Televisão:
Na televisão Todo dia vejo ela Trabalhando numa novela Está fazendo sucesso E por isso Eu estou muito feliz Meu amor é atriz Que está fazendo progresso.
Como disse acima, o intragável Direito de Nascer foi badaladíssimo. Blecaute e Brasinha conseguiram relativo sucesso com a marcha homônima:
Ai, Dom Rafael Eu vi ali na esquina O Albertinho Limonta Beijando a Isabel Cristina A Mamãe Dolores falou Albertinho não me faça sofrer Dom Rafael vai dar a bronca E vai ser Contra o Direito de Nascer.
No carnaval de 1966 juntaram-se três privilegiados, Marcelinho Ramos, Abílio Correia e Zé Luzada para fazer brotar A Novela Acabou, onde, masoquistas, lamentam o fim do suplício:
Nossa novela acabou Ah que pena a novela acabou Sofreu Dom Rafael Não teve coração Seu sofrimento foi cruel Coitada da Maria Helena Pobre mulher é digna de pena Seu pai não compreendeu O Direito de Nascer.
O Beijo da Novela, de Dalto Araújo, Cesar Moreno e S. Correia (outra trica, meu Deus!) é mais um exemplo da falta do que fazer:
O beijo que o Albertinho deu Na Isabel Cristina Valeu, valeu Pelo enredo da novela E o povo entendeu Que ele gostava dela Oh Albertinho, Oh Isabel Este beijo vai dar lua de mel.
A Marcha da Novela continua fazendo render o assunto:
O negócio lá na casa dela É ver novela, é ver novela Me conta... Me conta Como é que foi O casamento do Albertinho Limonta.
Eu compro essa Mulher foi outro dramalhão que repercutiu. Raul Sampaio, Benil Santos não ficaram imunes:
Eu compro essa mulher Por qualquer preço Por ela eu viro o mundo Pelo avesso.
Moreira da Silva e Rômulo Paes também cantaram a disputada senhora:
Eu compro, eu compro Eu compro essa mulher Estou ganhando pouco Seja lá o que Deus quiser.
O Sheik de Agadir foi invejado por uns e esnobado outros. A novela hoje era capaz de aumentar nossa cota de petróleo:
No harém do Sheik de Agadir Tem tantas mulheres assim Ai, ai, Benazir Deixa umazinha pra mim. (Nuno Soares, Ary Pereira, Maurilio Lopes, carnaval de 1967).
Eu sou o Sheik Eu sou o Sheik bacana Eu sou o Sheik das areias De Copacabana Ai, ai, ai eu tenho pena do Sheik de Agadir Janete faz dele o que quer E no meu harém tá sobrando mulher. (O Sheik de Copacabana de Brasinha e Blecaute).
Vejam só a indigência dessa Onda Legal:
Oh Simonal A onda tá legal Até a Ioná do Sheik de Agadir Já gritou que vai deixar cair.
A Rainha Louca passou sem pompa pelo carnaval de 1968:
É uma rainha louca Que ainda não tem pensar Ela não sabe o que quer Ela não sabe amar O Conde Demétrio falou Que o índio Robledo é um pajé Vive dormindo de touca Porque Anastácia é que é mulher.
Sadi Cabral, ótimo ator e compositor bissexto (é parceiro de Custódio Mesquita nos clássicos Velho Realejo e Mulher) fez sucesso na novela Minha Doce Namorada, no papel de Seu Pepê, um velhinho legal. Achou isso suficiente para aventurar-se no carnaval de 1972 com cantor e autor e quebrou a cara:
Minha doce namorada Patrícia, minha amada Onde vai você? Eu vou brincar o carnaval Pular no Municipal Junto com Seu Pepê.
O Bem Amado foi merecidamente um êxito. Brasinha, compositor tarimbado, com muita verve compôs a Marcha do Odorico para o carnaval de 1974:
E sou o Odorico Paraguassu Eu sou um sujeito direito pra chuchu Emboramente criticado Por esses badernistas difamantes Eu sou o bem amado De todas as donzelas militantes.
Juntamente com Benil Santos, o mesmo Brasinha em 1965 já denunciava a obcessão novelística e seus reflexos no cotidiano:
Enquanto ela vê novela A comida tá queimando na panela É novela no 2 É novela no 9 É novela no3, no 8, no 6.
Eu não faço restrição ao papel que as novelas desempenham com opção de lazer, mas tenho receio que, a exemplo do futebol e do carnaval, acabem se tornando um elemento de escapismo a afastar o povo de sua realidade social.
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